Bio

Músico (cantor/guitarrista) e compositor. Toquei em várias bandas desde o fim dos anos 80. Gravei um CD Demo com a minha banda em 2006. Esse material não foi lançado por uma série de motivos. Ultimamente estou finalizando um trabalho de 11 músicas produzidas pelo francês Arnaud Devos (músico/produtor/arranjador).
Nasci e moro em Brasília. Eu era um pré-adolescente em meados dos anos 1980. Naqueles dias, praticamente, todo mundo ouvia rock. A cidade era bem mais vazia e cada turma ou grupo se sentia dono de tudo, característica marcante de quem é da cidade. Tomei os primeiros porres com vinho “Chapinha”. Rolaram alguns amassos no escurinho das matinês da “Zoom”. Participei das cheirações de “loló” e “otras cozitas mas” nos gramados do fim da Asa Sul. Matei muitas aulas no Conjunto Nacional ou assistindo algum filme no Cine Karim da 112/113 Sul. Aprendi a tocar violão com os amigos embaixo do bloco. Vi showzinhos “toscos” no colégio “Cor Jesu”. Algumas imagens do ”badernaço” grudaram na minha mente. Toquei as músicas punk de três notas do Detrito Federal. As letras e melodias da Legião Urbana me viciaram. Vi a revolta pequeno burguesa da Plebe Rude. Jogava futebol todo sábado no “campão” na frente do prédio. Aplicava muitos ”calotes” nos ônibus da TCB. Estava no show/batalha campal da Legião no Mané Garrincha. Lanche da tarde : Baré “tuti-fruti” e sanduíche de mortadela da padaria. Usava roupas da Pier, Company e da Feira do Guará. Comprei uma calça Levi’s na Mesbla e ganhei um ingresso do show do Sting no Mané Garrincha. Almoço de Domingo com a família: pizza da “Germana”. O meu ”Ki chute” se transformou em um “Redley” laranja. Paixões adolescentes. Espaços vazios. Festas de aniversário nos pequenos apartamentos da 415 Sul. Pegava a bicicleta e saía por aí em bando e sem destino. Lia todo mês a revista Bizz. Ouvia sempre os programas da rádio “Transamérica”. Montei a minha primeira banda com os amigos da quadra e do colégio.
Na década de 1990, de repente, todo mundo passou a usar cabelo comprido. Inclusive eu. O som mais pesado tomou o lugar do rock inglês da década passada. Vi algumas porradarias generalizadas no “Gilberto Salomão”. Os shows de bandas da cidade atraiam uma multidão. Toquei guitarra no BSB-H. Fui às “calouradas” no estacionamento do minhocão sul da UnB. Frequentei e toquei nas ”Feiras de Música” no Teatro Garagem (SESC 913 Sul) e na Casa do Teatro Amador (hoje, Sala Plínio Marcos). Comprei uma guitarra Dolphin e um amplificador Meteoro. Me lembro da “rua do Gates” totalmente tomada de gente. Da “rua do Schlobs” totalmente tomada de gente. Da “rua do Chez Michou” totalmente tomada de gente. Fejão, Wallaces, PxUxSx (Era Simone Death. Só pra lembrar!), Câmbio Negro, Dungeon, Restless, Little Quail, Pravda, Raimundos e muito rock pesado. Toquei guitarra no Detrito Federal. Vi os shows do Superchunk, Sepultura, Mano Negra e muitos outros no Gran Circo lar (ao lado da rodoviária). Comprei muitas coisas nas primeiras importadoras de CDs. Aí, apareceu uma merda chamada “Micarêcandanga” e fez a alegria da playboyzada. Fui no show do Faith No More no Mané Garrincha. O “Pontão” ainda era o maior motel a céu aberto da cidade. Todo o fim de semana lotava de gente na Praça dos Três Poderes. O Cine Centro São Francisco (a “adega”) era o “point” da turma do rock pesado. Fui em muitas festas com bandas ao vivo no Lago Sul e no Park Way”. Apareceu o Nirvana (Demorou!). Os Raimundos eram a maior banda de rock do país.
Agora, nos anos 2000, os espaços da cidade destinados à música ao vivo começaram a fechar. A MTV definiu padrões a seguir e depois perdeu ”audiência” para a internet. Alguns shows interessantes na “Arena” (Setor de Clubes Sul). O câncer das bandas “cover”. As “Micaretas” perderam para as festas eletrônicas. Ecstasy malhado (HIHIHIHI!). Montei o Serafim (era uma banda). Los Hermanos são a maior banda de rock do país. Los Hermanos acabam. Ipod. Toquei guitarra na Superquadra. Estão de volta as abomináveis duplas sertanejas. A derrocada da indústria cultural. A cauda longa na Internet. Ninguém mais vai aos (raros!) shows de ninguém. Troca de arquivos. MP3. Pirataria. Preguiça generalizada do público. Apatia.
EVOLUIR É LEGAL NÉ?
Bandas:
Mistic Rose/Abhorrent
BSB-H
Detrito Federal (no retorno da banda com o Podrão e o Bosco)
Royal Street Flash (com o Rodolfo dos Raimundos)
Mosaiko (Jazz Rock)
Banda Serafim
Superquadra
